Precisou de uma pandemia mundial para a Educação Física acordar e querer buscar o seu próprio valor?

Será que este gigante acordou ou foi mais um sonho e logo irá voltar a dormir?

Nossa classe de Profissionais de Educação Física e os seguimentos empresariais, aos quais nos permitem executar nossa profissão com o treinamento físico, se compara nos decretos do Estado aos:  Bares, Restaurantes, Boates, Cinema, Biblioteca, shows e eventos.

Estes, mais as academias, clubes e centros de treinamento foram os primeiros a serem fechados.

As autoridades mostram que ser Profissional de Educação Física ou ser um empresário deste segmento nos inclui como diversão e lazer. É a nossa classificação para as autoridades e o Estado.

Não desmerecendo os seguimentos que pertencem a estas áreas, até porque sua maioria provém da ‘’CULTURA’’, e uma sociedade sem cultura é uma sociedade sem corpo e alma, por mais que a nossa cultura já tenha se transformado em cultura de massa e não mais uma ferramenta de educação, ajudando na transformação e formação do indivíduo. Mas este já é outro assunto.

Porém, com toda a certeza estamos no hall da diversão e lazer, e não da saúde em primeiro lugar, por culpa "NOSSA".

E só NÓS podemos mudar isso.

Quando tudo isso passar.

Antes de fazer o marketing do “projeto verão’’ ou fazer uma parceria com uma blogueira para ter mais ‘’likes’’ com informações de massa, que por óbvio nem ela sabe a origem da fonte, ou contratarem um não profissional graduado e não credenciado que ganhou um troféu de plástico e um pote de whey, mas nunca leu um único livro de treinamento e seu único pseudo-entendimento do assunto é ‘’HIPERTROFIA’’.

Nós temos o dever como EDUCADOES de entender a diferença entre ensinar e treinar, baseado em evidências científicas, sabendo que o meio acadêmico e científico, por intermédio de suas pesquisas multidisciplinares, assim como a própria da educação física, comprova há décadas que o exercício físico previne quase todos os tipos de câncer e doenças cardiovasculares.

Em um estudo apresentado pela The Lancet, no congresso da Sociedade Européia de Cardiologia –ESC2019, o câncer e as doenças cardiovasculares são os responsáveis por 40% das mortes no mundo em adultos; em países ricos o número de mortes por câncer é duas vezes maior que as doenças cardiovasculares; já em países mais pobres ou em desenvolvimento, as doenças cardiovasculares continuam a prevalecer como a principal causa de morte. Os dois estudos foram realizados pela Prospective Urban and Rural Epidemiologic .

Um dos principais fatores de desenvolvimento destas doenças é o SEDENTARISMO, o qual, segundo a OMS, mais de 70% da população mundial é sedentária. O Brasil é o quinto país mais sedentário do mundo e o primeiro na América Latina. Isso significa que estar sedentário nos leva a desenvolver também o diabetes. Segundo a OMS, de 2006 a 2016, houve um aumento de 60% nos diagnósticos, e estima-se que o custo da doença para a saúde no Brasil poderá chegar em 2030 próximo dos 123 bilhões de dólares. A obesidade, também uma aliada do sedentarismo e inimiga da saúde, caminha a passos largos no Brasil, onde, segundo a ODCE, 23,2% da população é obesa e talvez mais de 50% está com sobrepeso.

Isso significa que ser sedentário nos leva a desenvolver doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e obesidade. Estatísticas apontam que a falta de atividade física é responsável por 54% do risco de morte por infarto, 50% por derrame cerebral e 37% por câncer.

Tendo toda esta gama de informações, nós, como provedores de uma saúde preventiva, não podemos viver a todo o momento só de franquias, Hitt, Cross fits e hipertrofia, para prescrever um treinamento físico pensando no faturamento em curto prazo.

Do jeito que vendemos nosso produto não podemos almejar que autoridades públicas, em meio a uma pandemia mundial de um vírus desconhecido, nos promovam do dia para noite como serviço de saúde e num piscar de olhos nos tornemos um serviço essencial.

Até o dia que todos nós dermos valor ao curso, ao estudo, ao aprimoramento constante e de qualidade; o dia que contratarmos, pensando na saúde e na satisfação do cliente; o dia que se pensar em ensinar os alunos; o dia que vendermos um estilo de vida, uma educação física e não uma matrícula para fazer volume na conta bancária, ou seja, até o dia que tudo isso não ocorrer de uma maneira uniforme e este paradigma não for quebrado, onde a estética vem antes da saúde, na escolha do empresário e do professor de educação física, tudo continuará sem mudar.

Quando este dia chegar seremos da saúde e seremos essenciais na vida de todos.

(O conhecimento acadêmico para a população não é imediato e sim mediato, e nós somos os responsáveis por esta mediação.)

A culpa é nossa!