O mercado valoriza muito os CEOs otimistas, os profissionais com boas previsões, os executivos com certezas na ponta da língua e os corredores de alta performance. Eles se tornam “personalidades atraentes” e somos incentivados a copiá-los, e, por que não?

Primeiro porque não deveríamos nos comportar como rebanho. Preservar a individualidade é importante para respeitar a singularidade e, por consequência, o propósito genuíno ou o desejo de cada sujeito.

Depois, porque não podemos viver a ilusão de controle, como se fôssemos fabricar uma pessoa nova dentro de nós, por um “pedido” do mercado.

Claro, não somos ingênuos, sabemos que adaptações são necessárias para estarmos “no jogo”. Mas, somos singulares, temos nosso próprio ritmo e tempo, por mais que estejamos participando da hiper maratona, que é nossa própria vida. 

Sem ilusão

Então, melhoria constante, sim, ilusão desvairada de inexistência de limite, não.

Regular a dose de otimismo está ligada à competição.

Pense conosco: se somos convocados a tomarmos uma posição mais otimista, precisaremos negligenciar, em algum grau, as previsões negativas, concorda?

Por exemplo, se você é um profissional liberal que está iniciando carreira, precisará negar a quantidade de concorrentes, as previsões do mercado – talvez saturado –, para prosseguir, caso contrário você desistirá. Por outro lado, se você negligenciar demais a competição na qual está inserido – ainda que não queria – correrá dois riscos, ou “se encolhe” e abandona a prova, ou cria um excesso de confiança, um alto grau de otimismo.

O problema ocorre porque o excesso de confiança leva à negligência de riscos. Quanto maior a confiança, maior a exposição a riscos – lembre-se de você adolescente, os riscos que correu.

Pesquisadores da Duke University concluíram que CEOs otimistas são superconfiantes em suas próprias previsões, mesmo quando “erram feio” – o que acontece na maioria disparada das vezes. Pior ainda, não percebem que suas previsões não valem muita coisa.

E na corrida?

Na corrida é a mesma coisa, às vezes oscilamos entre o medo de não conseguir acabar uma prova ou ignoramos nossa condição real e “nos metemos onde não devemos”.  Entre o medo e o excesso de confiança se situa o ponto adequado.

Embora a confiança seja mais valorizada que a incerteza, não desista caso tenha dúvidas sobre sua capacidade como profissional ou corredor.

Mesmo que seu lado negativo pense: “não vai dar certo”, lembre-se que o outro lado da moeda também não é o melhor lugar e que:

“o equilíbrio entre o pessimismo paralisante e o otimismo excessivo é o lugar de maior conforto emocional que existe, pois é o lugar do respeito próprio”.

Referências:

  1. Negação é um mecanismo de defesa do ego.
  2. Livro Linha de Chegada.