A Esclerose Múltipla requer uma assistência multiprofissional de diversos saberes.

O texto a seguir enfatiza o papel que o psicólogo tem na melhora da qualidade de vida destes pacientes, contribuindo para que os mesmos não se sintam tão excluídos socialmente.

O que é esclerose múltipla e qual a sua incidência?

A esclerose múltipla é uma doença autoimune progressiva crônica, inflamatória e degenerativa, desencadeada por bactérias que imitam a estrutura molecular da mielina, fazendo com que o sistema imune ataque tanto a bactéria quanto a mielina normal. Ela está associada à deterioração irregular da bainha de mielina que circunda os neurônios na matéria branca do sistema nervoso central e é caracterizada por fraqueza muscular, especialmente nas pernas, dormência, tremor, dentre outros sintomas.

A bainha de mielina é rica em lipídeos, os quais revestem axônios tanto no sistema nervoso central como no periférico. Uma de suas funções é funcionar como um isolante elétrico, e isso auxilia para uma condução mais rápida dos impulsos sinápticos. Esta bainha é formada pelas membranas celulares das células da glia (células de Schwann, no sistema nervoso periférico, e oligodendróglia, no sistema nervoso central).

A esclerose múltipla é uma doença que surge frequentemente entre os 20 e os 40 anos de idade, ou seja, entre os jovens adultos, afetando com maior incidência as mulheres do que os homens.

Esta patologia é diagnosticada a partir de uma combinação de sintomas e da evolução que a doença apresenta na pessoa afetada, com recurso a exames clínicos/exames complementares de diagnóstico (Ressonância Magnética Nuclear, Estudo de Potenciais Evocados e Punção Lombar).

Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com esclerose múltipla (dados da Organização Mundial da Saúde) (Informação disponível no site da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla- SPEM).

O Papel do Psicólogo

É essencial que não apenas o cliente, mas também a sua família tenha acompanhamento psicoterapêutico.

Para o sujeito a psicoterapia será importante tanto para a aceitação do diagnóstico quanto em relação aos tratamentos indicados. Além disso, a psicoterapia abrirá um espaço para que ele possa elaborar sua angústia e ansiedade, podendo assim desenvolver sua resiliência e fortalecer seu equilíbrio emocional, bem como desenvolver sua capacidade para lidar com a evolução da doença.

É importante esta mesma ação com a família, pois ela também sofrerá com a evolução da doença e com a progressiva dependência do indivíduo.

 “Para poder ajudar, o psicólogo deve trabalhar as reações de uma perda em relação à auto-imagem no reconhecimento de uma doença crônica na vida do indivíduo. Outro trabalho importante é a ajuda a compreender as informações que o paciente recebe de seu médico, a separação e seleção dos “conselhos” e reações dos amigos/familiares bem-intencionados. ” (Renata Chiadi)

Os psicólogos que trabalham com portadores de esclerose múltipla devem ter conhecimento sobre o que é a doença e como o seu cliente a percebe, ou seja, suas preocupações quanto às suas funções cognitivas e ansiedades.

Por ser uma doença ainda sem cura, o psicoterapeuta pode auxiliar o seu cliente a lidar com a esclerose múltipla, desde o diagnóstico até as demais etapas da doença.

“Os problemas mais comuns são as dificuldades e deficiências da atenção e da memória e a redução da rapidez e eficiência do processamento de informações. Há também o déficit da atenção sustentada, ou seja, da capacidade de concentração em determinada atividade, especialmente naquelas que requerem também dividir a atenção com diferentes tarefas, ações ou informações simultâneas. De modo similar estão deficientes tanto a memória a curto-prazo (ou seja, memória operacional, que lida com informações simultâneas, na faixa de segundos), como também a memória a longo-prazo (aprendizado de informações e recordação de fatos ocorridos vários minutos, horas ou dias antes).” (Elizabeth Ferreira Guimarães Zenha)

 Grupos de Apoio

Participar de grupos de apoio ajuda muitas pessoas de variadas formas. Desse modo, não seria diferente com a esclerose múltipla.

Os grupos são formados por pessoas com um problema em comum, que se reúnem para compartilharem suas experiências. Elas querem ser ouvidas, mas também precisam escutar, para entenderem melhor a doença.

Os grupos de apoio são presenciais ou online.

Todos os grupos são orientados por profissionais treinados, os quais podem contar ou não com um líder do grupo, que pode ser um portador da doença.

Somando esforços

Apesar de sua complexidade e de ainda não existir uma cura, podemos ver que há muito o que fazer, a fim de aumentarmos o bem-estar dos portadores de Esclerose Múltipla.

E a psicoterapia, tanto individual quanto coletiva, tem muito o que somar, para restabelecer o contato de tais pessoas consigo mesmas e com o mundo. 

Referências:

  1. Elizabeth Ferreira Guimarães Zenha
  2. Renata Chiadi
  3. V.A. - Desenvolvimento bem-sucedido com esclerose múltipla: um ensaio em psicologia positiva
  4. Luísa Pedro e José Luís Pais Ribeiro - Implicações da situação profissional na qualidade de vida em indivíduos com esclerose múltipla