Mulheres são “acusadas” de buscar mudanças com muita frequência e acabam taxadas de inconstantes. A pluralidade do pensamento feminino é a grande “culpada” disso, pois somos, desde sempre, multitask. Além de mães, amigas, cozinheiras, arrumadeiras, lavadeiras, jardineiras, costureiras, artesãs, passadeiras, cuidadoras, estudantes eternas, profissionais, ainda nos tornamos, com mais ênfase nos últimos tempos,  empreendedoras inquietas.

Se deixamos algumas habilidades de lado, para nos dedicarmos com mais foco ao trabalho “fora de casa”, quando comparadas com os homens, ainda utilizamos 4 vezes mais nosso tempo com tarefas domésticas e recebemos em média 30% menos que eles. Mas, que ninguém se apresse em enquadrar o que escrevo como discurso feminista. Estrutural, física, genética, cultural e sentimentalmente, mulheres, homens e outros gêneros, são diferentes.

Diferenças são inevitáveis e necessárias; portanto, não é esse o problema. As dificuldades começam quando se espera ou exige que uma especificidade, particularidade ou diferença, prevaleça sobre outras. É incrível ver como rapidamente os discursos se inflamam, os radicalismos se instalam e as inteligências “desaparecem” quando tentamos fazer com que a “nossa diferença” seja melhor que a dos outros. Lutar para fazer prevalecer uma opção, postura, ideologia, ideia ou teoria tentando anular uma posição contrária é preconceito e, todo preconceito é limitante.

Nesse sentido, a pluralidade, a multiplicidade de tarefas com que as mulheres se deparam há séculos, pode ser uma lição de tolerância e ganhos em vários aspectos, fazendo com que inclusive a economia se beneficie. Somar ao invés de dividir e compartilhar antes de excluir são caminhos que mulheres têm escolhido.

Mesmo com dificuldade e, por vezes, temor, o empreendedorismo cresce entre aquelas que conseguem romper com os mitos modernos. Um dos principais Mitos Modernos insiste em reduzir, por exemplo, a relação das mulheres com o dinheiro, ao “consumo desenfreado”. Você já deve ter ouvido: “mulheres não resistem a uma promoção” ou “elas são loucas por sapatos”. Embora algumas se deixem levar pela construção cultural de que mulheres não conseguem controlar dinheiro, cada vez mais temos nos deparado com aquelas que trocaram sapatos e bolsas por projetos e persistência. E não significa que deixam de se arrumar, apenas migram parte dos recursos para suas micro ou grande empresas.

Então, se as ações mudam, a relação com o dinheiro no universo feminino também está sendo alterada, e para melhor. Com o tempo, mitos criados e reproduzidos, inclusive por nós, podem dar espaço às conquistas de investidoras de sucesso. Claro que poderia falar de outros gêneros que lutam, desbravam espaços e conquistam arduamente “um lugar ao sol”. Mas, por ora, vamos reforçar e assumir a vontade de mudar, contando com o desafio de ser plural e singular ao mesmo tempo. E quando o psicanalista Lacan se questionava sobre “Afinal, o que quer uma mulher?”, sabia que, embora tenhamos consciência que é impossível, ainda assim, queremos tudo!