Você já se perguntou se existe algum modelo que explique melhor nossa estrutura corporal vencer a gravidade e ficar em pé? Nossa estrutura óssea e ligamentar não é estável o suficiente para ficar em pé sozinha.  Aliás, nossa estrutura é demasiadamente instável. O coeficiente de atrito entre uma vértebra e outra é menor que teflon. Dá para imaginar o quão instáveis são as nossas articulações? Mas, então, quem é responsável por essa estabilidade? O tecido fascial que nos envolve da cabeça aos pés, criando e distribuindo tensões, é responsável por manter nossa estrutura de forma estável através do jogo de tensão e compressão.  A palavra tensegridade é exatamente isso: tensão e integridade. Quando aplicamos esse conceito aos seres com vida,  o termo correto  é biotensegridade . Então, vamos entender melhor o que é tensegridade, e de onde veio esse conceito.

Tensegridade


Tensegridade é um termo utilizado pela engenharia, onde uma estrutura é capaz de se manter em pé graças a um jogo de tensão e compressão entre as estruturas.

Foi primeiramente citada pelo designer e arquiteto Buckminster Fuller. Nesse modelo utilizado na imagem acima, podemos entender melhor o conceito de tensegridade.

Nessa ponte percebemos que os cabos se mantém estavelmente na estrutura em virtude ao equilíbrio das contínuas forças de tensão e compressão. Na engenharia esse fenômeno é chamado de pre stress. Sabe aqueles prédios que resistem a furacões? Então, eles apresentam esse tipo de estrutura, onde a tensão que chega é distribuída, a fim de criar integridade, ou seja, estabilidade para toda a estrutura. Dessa forma, ele balança, mas não cai.

Quando esse conceito é aplicado ao nosso corpo, temos a biotensegridade.

Como funciona a biotensegridade no nosso corpo?

Mas como isso funciona no nosso corpo?

Primeiro vamos entender o modelo acima, que utilizamos para explicar o conceito.

Nesse modelo, os palitos seriam os ossos, as ponteiras as articulações e o elástico o sistema fascial;  perceba a continuidade do sistema fascial.  Os ossos flutuam na fáscia, e não ficam empilhados uns sobre os outros como estamos costumados a pensar.

O sistema fascial é único e contínuo e é responsável por toda a comunicação das partes do corpo. Ou seja, um estímulo em dado local terá repercussão em todo sistema. E assim é nosso corpo. Uma dor no ombro pode ser uma resposta a um estímulo não necessariamente gerado no ombro, haja visto que tudo se conecta. 

Devido a biotensegridade, as forças são distribuídas, os espaços mantidos e as alterações de tensão em um local repercute em todo o corpo.

Vamos fazer um teste: 

Fique em pé, e com o pé direito tente agarrar o chão. Perceba todas as estruturas envolvidas nesse ato. Músculos do pé, da perna, abdômen, e assim vai. Um bom exemplo de interconectividade entre as estruturas.

Interessante saber que esse conceito é aplicado do micro para o macro sistema.

Vamos pensar em uma célula. O estímulo é dado, por exemplo, na pele; esse estímulo caminha pelo sistema fascial, pela substância extracelular até chegar na membrana celular. Ao chegar na membrana, os receptores chamados de integrina serão responsáveis por enviar o estímulo para dentro da célula. Esse estímulo se propaga através do citoesqueleto celular, em um mecanismo chamado de mecano transdução, até chegar ao núcleo . A célula responderá a esse estímulo, se modificará e propagará a informação para a célula vizinha e, assim, até atingir todo o tecido.

O sistema fascial tem um importante papel em propagar essas informações por todo corpo. É como jogarmos uma pedra em uma lagoa.  A pedra atirada move toda a água em seu entorno. É assim com nosso corpo também.

Repense seus tratamentos, suas avaliações. Será que você está considerando toda essa conexão interna?