Chega até ser engraçado quando pensamos no poder de processamento das novas tecnologias, que está cada vez mais rápido. Lembra como seu PC com o Windows 95 era lento, travava e ainda tinha o “erro fatal”? Lembra da sua internet discada, como demorava para conectar, como demorava pra baixar e como era cara: ficávamos fora da rede o maior tempo possível.

E agora, como é? Temos um smartphone (nem celular é mais) no bolso da bermuda, com um poder de processamento e armazenamento muito maior que aquele trambolho que você gostava de deixar na sala de casa, pois era ostentação.

E a internet e os sinais de wi-fi? Nunca estivemos tão conectados à rede. Podemos entrar a qualquer a hora e lugar.

“Eu vejo um museu de grandes novidades” (Cazuza)

Mas é aí que está a graça: nunca tivemos tanta acessibilidade, só que esta conectividade refletiu em outras esferas de nossas vidas.

Como a pressa afeta a nossa saúde?

A vida na Idade Mídia tornou tudo um grande fast food, onde, o que precisa ser adquirido, é sempre no agora e ninguém mais consegue esperar. Nós nos alimentamos piores (e com mais pressa), e a fórmula do emagrecimento vem com enunciados tais como: “perca peso em poucas semanas”, ou “método rápido de emagrecimento”.

A questão se torna não ganhar saúde, mas sim perder medidas a qualquer preço. Com comprimidos e fórmulas para tudo, afinal é muito melhor uma pílula da felicidade, do que um processo psicoterapêutico.

De acordo com a Federação Mundial de Cardiologia, o estilo de vida (incluindo o estado mental do indivíduo) é responsável por 50% dos fatores necessários para que uma pessoa viva mais do que os 65 anos. (BBC)

Essa necessidade de respostas imediatistas faz com que tenhamos atitudes imediatistas, sem que haja um planejamento, ou sequer paremos um pouco para refletir.

Por mais que muitos queiram apressar o relógio, o tempo vai passar com a mesma velocidade; mesmo que tenham uma percepção diferente sobre ele, o tempo é o mesmo. E isso nos estressa, nos angustia, nunca fomos tão ansiosos, tão necessitados que tudo se resolva no hoje. Ouso dizer que nunca fomos tão mimados, pois temos tudo ao nosso alcance, então estamos desaprendendo a saber esperar.

Por mais que estejamos vivendo nesta era “super veloz”, ainda somos seres vivos lentos, lenta gestação, lenta digestão, lento desenvolvimento biológico e psíquicos. Mas com essa fome insaciável, que nos leva muitas vezes a autosabotagem, nos alimentamos mal, podendo evoluir para distúrbios alimentares que podem estar conectados a uma depressão ou ansiedade, com resultado em uma má alimentação, que propicia o aumento do colesterol.

Um novo levantamento feito pela Federação Mundial de Cardiologia, com sede em Genebra, na Suíça, mostra que 45% das pessoas que enfartam e são atendidas em hospitais em todo o mundo sofrem de depressão. (BBC)

Paralelo a isso, psicopatologias como a ansiedade aumentam a liberação do cortisol, que é um hormônio responsável por aumentar a glicose no sangue. Em situações normais essa liberação auxilia quando nosso organismo precisa gastar mais energia, mas em uma situação estressante não há essa necessidade, e essa liberação desnecessária pode trazer problemas como diabetes, altos níveis de triglicérides e descontrole de colesterol.

Por isso:

  • Pegue mais leve consigo mesmo: você não precisa saber de tudo e tampouco só tem esse minuto para resolver sua vida.
  • Desconecte-se só um pouquinho: o mundo vai continuar funcionando se você parar para se cuidar.
  • Aprenda a esperar (um jeito prático para isso é cuidando de um jardim, mas existem outros).
  • Respire fundo, prepare seus próprios alimentos o máximo que puder e mastigue bem.
  • Lembre-se que você é aquilo que come.

Fonte:

BBC https://www.bbc.com/portuguese/ciencia/020411_coracaomtc.shtml

Fonte da Imagem:

Aleksandr Kuskov https://www.behance.net/gallery/34541245/Mechanical-Heart