Em meu primeiro texto no blog Work&Care escrevi sobre a dor nas costas, sua multifatoriedade, principais recomendações para o tratamento e a sua origem inespecífica. Lembro-me que quando utilizei este termo escrevi que era o mesmo que “sem uma causa específica”.

Na realidade, o termo “origem inespecífica” é definido pela literatura especializada como: dificuldade de atribuir a um determinado tecido a causa potencial geradora de dor. Isso mesmo!!! São muitos tecidos como:

  • ligamentos
  • discos e cápsulas articulares
  • facetas articulares
  • fáscias
  • vasos sanguíneos
  • raízes nervosas ... e tem mais.

Todos estes são tecidos potencialmente geradores de informações elétricas (nocicepção); essa informação será processada e interpretada por áreas do nosso cérebro, e a dor, então, será produzida (dor = um produto do cérebro!! Merece um post!!).

Mas, se temos uma origem inespecífica (não se esqueça da estatística = mais de 95% dos casos) é claro que temos uma origem específica.

A origem específica da dor

A "origem específica da dor" está relacionada com uma patologia séria, grave, da coluna vertebral. Tal patologia séria é classificada como uma bandeira vermelha (red flag); isso mesmo, semelhante ao sinal vermelho do nosso semáforo, significa o mesmo: PARE!!

As principais causas específicas graves de dor lombar são:

  • doenças inflamatórias das vértebras
  • fraturas
  • tumores ósseos
  • infecção
  • síndrome da cauda equina (levando a dificuldade de controle vesical e fecal).

E as bandeiras vermelhas não são as únicas. Também existem as:

  • bandeiras laranjas (sintomas psiquiátricos)
  • amarelas (fatores cognitivos, emocionais e comportamentais)
  • azuis (fatores relacionados ao binômio trabalho-saúde) e
  • bandeiras pretas (questões trabalhistas).

E por que tantas bandeiras assim? O que elas significam? Tantas cores assim ficariam ótimas "estampadas em uma camisa de festa Junina".

Brincadeiras à parte, o Sistema de Classificação de Bandeiras para Dor Lombar (flag model for low back pain), refere-se a fatores de risco potenciais para o desenvolvimento de dor persistente e incapacidade física. O objetivo é muito simples: classificar o meu paciente em um determinado perfil biológico/mecânico, emocional, comportamental, laboral, para que eu possa entregar para este o tratamento mais indicado.

Isto pode ser feito através de uma boa anamnese (do grego ana = trazer de novo mnesis = memória) e avaliação clínica e física, as quais me permitirão conhecer o perfil mecânico do meu paciente. Também a utilização de questionários e escalas podem auxiliar no conhecimento do perfil emocional e comportamental do meu paciente.

Mas tudo isso tem um objetivo maior: conhecer as características do meu paciente/cliente, para realizar uma abordagem/tratamento centrado em sua individualidade.

Isso mesmo: somos indivíduos únicos, com necessidades únicas e experiências passadas únicas. Independente do rótulo do diagnóstico, os tratamentos e abordagens deverão ser individualizados/personalizados.