“Lindas flores nascem, mas eventualmente morrem”

(Buda - Saints Seiya)

Dos muitos campos de estudo que a psicologia tangencia, a tanatologia, ou seja, o estudo científico da morte, está entre os assuntos que mais me fascina estudar e trabalhar.

Não há nada de mórbido nisso, mas a elaboração do luto, com ou sem um auxílio profissional, na minha opinião, é fascinante, visto que, quando falamos de luto, é porque existe algo vivido em dualidade: algo natural, que todos nós iremos passar, tanto pelo nosso tempo finito quanto na elaboração do luto por alguém que sentimos afeto.

E é neste ponto que se inicia o meu fascínio, pois, enquanto em um transtorno não há uma certeza do que iremos vivenciar, em um processo de luto trata-se de algo (em maior ou menor escala) esperado em algum momento de nossas vidas.

Há um aspecto cultural no luto, como, por exemplo, os aspectos religiosos que se desdobram no que você aprende a sentir em tais situações. Sim, há também um aspecto particular/emocional, mas há uma cultura que é aprendida: rituais que se dão para a pessoa que faleceu, como também para a família.

Vale ressaltar que o luto só existe onde há o amor e ele nos ajuda a preencher o vazio deixado.

O modelo de Kübler-Ross e os 5 Estágios do luto

Este modelo foi elaborado pela psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross através de suas pesquisas na área da tanatologia e nos facilita compreender como se dá esse processo de enlutamento. Há uma progressão no que se sente, dividido em estágios.

1. Negação:

"Isto não pode estar a acontecer."

É a fase mais dolorida do luto, e funciona como uma defesa psíquica que faz com que o indivíduo acabe negando o problema. É comum que as pessoas também evitem falar sobre o assunto. Há um isolamento e uma tentativa de fugir de sua própria realidade, racionalizando o acontecimento e tentando minimizar a situação.

A negação pode ser explícita ou implícita, ou seja, a negação pode ter uma atitude verbal e visível da impossibilidade de que a morte aconteceu, ou velada, e mesmo que a pessoa expresse a aceitação de que seu ente querido morreu, na prática, nos comportamos como se isso fosse uma mentira.

A negação não pode ser sustentada para sempre, pois entra em dissonância com a realidade,  por isso que acabamos abandonando esse estágio. 

2. Raiva:

"Por que eu? Não é justo."

Nessa fase o indivíduo se revolta com o mundo. Há um descontrole emocional e a pessoa se sente injustiçada, não se conformando por estar passando por isso.

É um período de muita frustração, em que procuramos encontrar algum culpado para direcionar a dor, pois se trata de um acontecimento onde não há uma segunda chance de ser consertado.

É preciso muita compreensão para lidar com quem esteja passando por esse estágio, dando o espaço que ela necessite.

3. Negociação/Barganha:

“Serei uma pessoa melhor se ele voltar”

Quando a pessoa começa a sentir que a raiva de nada adianta, surge uma nova estratégia. Essa é fase que o indivíduo cria a fantasia que pode negociar consigo mesmo, os famosos “se”, bem como das promessas de que  será uma pessoa melhor se sair daquela situação, além das promessas que faz dentro de sua religiosidade.

Além disso, pode estabelecer pactos, sacrifícios e acordos, para que tudo volte ao normal.

4. Depressão:

"Estou tão triste. Porque devo me preocupar com qualquer coisa?"

Já nessa fase a pessoa se isola em retiro para seu mundo interno e se sente impotente diante da situação. É nesse período que todas as fantasias são deixadas de lado, não há o que ser negado, não há espaço para a raiva e tampouco faz sentido negociar.

O que resta é apenas a tristeza; é o se dar conta, tendo contato com o único sentimento real que faz sentido neste momento. Afinal, temos todo o direito de estarmos tristes pelo ente querido.

5. Aceitação:

"Vai ficar tudo bem."

É o estágio que começamos a aceitar a morte do ente querido; a tristeza encontra o seu equilíbrio e conseguimos enxergar a vida como ela realmente é, ficando pronto para encarar a morte.

Aos poucos, o desespero é substituído pela saudade, vamos voltando a sentir alegria e prazer, e a partir dessa situação as coisas começam a voltar ao normal.

Procurando ajuda

Muitas pessoas conseguem elaborar seu luto sozinhas, mas outras não. Por isso, todo apoio familiar e de amigos será bem-vindo: só se lembre de respeitar o espaço e o tempo de cada um.

Outras pessoas podem precisar de ajuda externa como roda de conversas e grupos de apoio de enlutados, além do auxílio do psicólogo. E não há demérito algum precisar de ajuda, todos nós precisaremos de apoio em algum período de nossas vidas, afinal somos seres sociáveis.

Então, se estiver precisando conversar com alguém pode me procurar para conversarmos.