O último quilômetro do primeiro treino puxado, não existiu. A desistência foi, uma vez mais, o bloqueio reinando diante da superação. Quando a desistência de algo é repetida com frequência, isso indica que um bloqueio pode estar instalado.

Tenho utilizado a corrida de rua como uma fonte de compreensão e estudo da força de vontade, foco e determinação. O trecho acima foi escrito após o 1º treino “puxado”. Minha meta era plausível para o momento, correr em ritmo acelerado 5 km. Corri 4 km. Isso custou uma decepção e muito tempo de pensamento. Após refletir, analisar e estudar o que aconteceu, decidi compartilhar essa pequena história.

Tenho dificuldade em manter disciplina para exercício físico; muito mais desisti que continuei. Felizmente, com a corrida tem sido diferente. Ao menos nos últimos anos consegui “engatar” uma rotina que me levou até a conclusão de uma maratona em 2015. Deixo registrado que correr 42 km, para mim, é um feito enorme. Mas até chegar a esse resultado, desisti de muitos exercícios: vôlei, natação, boxe, squash, dança, musculação e muitas, muitas academias. O problema nunca foi o tempo, o esporte ou as academias, era eu + meu bloqueio em manter disciplina para prática de exercício físico.

Restava então analisar um comportamento repetido. Assim admiti a existência de um bloqueio – parar um treino faltando apenas 1 km, por exemplo. Por mais paradoxal que seja, acontece de sabermos que algo é uma “trava”, um verdadeiro “atraso de vida”, e mesmo assim buscarmos as situações, ou, no mínimo, deixarmos que se repitam acontecimentos nocivos. A questão mais profunda é compreender o significado disso tudo.

No último quilômetro, aquele que não existiu pois foi banido por escolha – justificada claro: cansaço, pouco tempo, falta de força, etc. – havia um comportamento esperado: a desistência e, muito mais forte que isso, uma repetição prevista. O significado está justamente neste ponto: onde a repetição acontece, nasce uma decepção. Muito mais fácil correr 1 km, pensa a consciência. Mas como não somos feitos apenas de consciência, predomina a força do inconsciente: “desistir era esperado”. Não era algo desejado conscientemente. Mas precisamos “desconfiar” da repetição; quer dizer, quando repetidamente fazemos algo é fundamental que possamos compreender qual é a motivação. Qual era minha repetição? Não ter foco em exercício físico e me decepcionar com isso. Loucura? Não, apenas a força do inconsciente em ação.

Pense, analise agora mesmo, que atitudes você tem e não gosta? Do que você desiste? Da dieta? Do estudo? Do planejamento financeiro? Do exercício físico? O que decepciona você e poderia ser modificado?

A questão mais importante está em desvelar aquilo que escondemos de nós mesmos. Sem compreender e modificar isso, todos nós corremos o risco de desistir daquilo que queremos e termos sempre uma decepção programada.