Desde que me formei o assunto alongamento gera polêmicas. Alongar parado ou não? Segurar por quanto tempo?  Pode balançar?

E agora vem essa pergunta: alongamento clássico estático pode ser considerado fascial?

Então, vamos conhecer as 5 estruturas importantes para a fáscia:

  1. Série: pense no músculo da panturrilha e no tendão de Aquiles em série, como se um fosse a continuidade do outro. Ao alongarmos de forma estática, alongaremos mais o músculo do que a fáscia do tendão. Mas, se acrescentarmos o bounce (balanços), aí atingimos a fáscia, o tendão. E porque eu me preocuparia em alongar o tendão? Alongar não seria bem a palavra, mas deixá-lo elástico, pois um tendão rígido e muito duro está mais suscetível a lesões.
  2. Paralelo:  são aquelas que estão em paralelo com os sarcomeros: as fibras musculares envoltas pelo endomísio. Essa sim são alongadas, quando praticamos o alongamento clássico.
  3. Extramuscular: é considerada toda rede fascial presente no corpo, tridimensional , caótica, da cabeça aos pés, que conecta tudo, com fibras em várias direções. Portanto, para atingir essas estruturas temos que ter variação do movimento, já que as fibras da rede fascial são multidirecionais. Então, se o alongamento contemplar várias direções, ele englobaria essa estrutura. Os fibroblastos precisam desse estímulo, para produzirem mais colágeno.
  4. Transversal: São as estruturas presentes no envelope do músculo. E essas são estimuladas quando se faz um exercício com carga. Um alongamento ativo com load (carga) contemplaria tais estruturas.
  5. Ácido hialurônico: está presente na substância fundamental que banha as fibras de colágeno e elastina, e são responsáveis pelo deslizamento das estruturas, dos músculos. São  produzidos pelo fasciacytes, as mais novas células descobertas e anunciadas no congresso de Berlim pela médica e pesquisadora Carla Stecco.

Portanto, um alongamento fascial somente é considerado fascial se englobar 3 ou mais das estruturas acima descritas. O alongamento estático não é considerado fascial, pois só acomete duas das estruturas: a transversal e a ácido hialurônico.

Como transformar um alongamento clássico em fascial?

Primeiro acrescente multidireção nos seus movimentos. Explore outros eixos de movimento, vá para um lado, para o outro, mude a posição dos pés, das mãos. Depois acrescente balanceios. Você mesmo achará seu ritmo ideal. Acrescentando esses 2 tópicos você faz com que os fibroblastos sejam estimulados a produzir mais colágeno.

A fáscia representa o segundo fator mais importante que limita a amplitude de movimento. O motivo é simples: o tecido conjuntivo corresponde a 30% da massa muscular e faz com que o músculo consiga mudar de comprimento. Portanto, o músculo só faz o que a fáscia quiser. Durante um movimento passivo a fáscia é responsavel por 40% do total da resiliência do movimento.

A disfunção da fáscia causa alterações musculares, posturais, de estabilidade, coordenação, força e elasticidade. Logo, alongar a fáscia de forma correta é extremamente importante, para o bom funcionamento do nosso sistema músculo-esquelético e para a prevenção de lesões. Uma fáscia alongada tem condições de transmitir forças de um local para o outro. Se ela for elástica, permitirá grandes graus de amplitude de movimento, ou seja, sua articulação estará livre para movimentar-se.

Outro ponto importante é que uma fáscia saudável consegue guardar energia, a qual será utilizada em atividades como marcha e corrida,  soilicitando um  menor gasto energético do seu metabolismo. Você cansará menos. É de extrema importância termos uma fáscia saudável, e isso implica em:

  • ter uma fáscia hidratada
  • elástica
  • resiliente e
  • alongada.

E o segredo para isso?? MOVIMENTO.  Movimentar-se em vários eixos, várias direções e acrescentar balanceios já podem ser medidas que você pode começar a adotar.

Bora treinar a fascia.