Os problemas de saúde sempre existiram em nossas mentes, almas e nossos corpos. Desde os primórdios das primeiras civilizações humanas houve pessoas encarregadas de cuidar do bem-estar dos demais de acordo com diversos aspectos de crença local, rituais, sabedoria e conhecimento adquiridos, observação da natureza e de suas manifestações. O que hoje classificamos e tratamos por doença foi identificado e conduzido por desequilíbrio vital em diferentes culturas, tanto no Ocidente quanto no Oriente. Agora, abordaremos, especificamente, alguns aspectos introdutórios da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), enfatizando algumas características particulares e a segurança em fazer uso desta como terapia complementar.

Bom, para início de conversa, precisamos afirmar que a MTC não se coloca como forma de tratamento exclusiva, nem mesmo na China contemporânea. A MTC é uma forma de tratamento alternativa/complementar ao tratamento alopático, não sendo, portanto, uma forma de negar o conhecimento e os avanços tecnológicos e técnicos da medicina ocidental convencional [1, 2]. Assim como na medicina ocidental usada até meados do séc. XVIII, em que se tratava toda manifestação de doença enquanto forma de desequilíbrio, na MTC, o tratamento engloba o uso de ervas medicinais e práticas corporais e mentais (como acupuntura, tai chi, ventosaterapia, moxabustão, dietoterapia chinesa, entre outras) para tratar ou prevenir problemas de saúde.

Aspectos do tratamento da MTC

Enquanto a medicina do Ocidente defendia o equilíbrio dos humores até pouco tempo atrás, a MTC trata com base em alguns aspectos que consideram que: 

  1. o corpo humano é uma microcosmo, uma espécie de universo em pequena escala;
  2. a harmonia entre as energias opostas, yin e yang, previnem doenças resultantes de seu desequilíbrio;
  3. há cinco elementos (fogo, terra, madeira, metal e água) que representam todos os fenômenos naturais, os estados da vida humana, inclusive o funcionamento do corpo e como este se altera na doença; e 
  4. o ki é uma energia vital que flui pelo corpo e desempenha inúmeras funções para manutenção da boa saúde [1].

Apesar de haver grande resistência no reconhecimento científico por parte da medicina ocidental contemporânea, há inúmeros estudos que mostram resultados positivos em tratamentos de diversas doenças [3, 4, 5]. Por fim, ressaltamos que, compreendida como sistematização dos saberes medicinais orientais, a MTC pode ser considerada como forma alternativa de tratamento segura, especialmente se:

  1. acompanhada por um médico convencional e
  2. os profissionais responsáveis pelo tratamento usando MTC forem experientes.

Convidamos o(a) leitor(a) a pesquisar mais sobre o assunto e navegar pelos inúmeros artigos sobre bem-estar escritos por profissionais das mais variadas áreas do saber, conhecendo mais sobre o que nossa região oferece de melhor em práticas que visam o cuidado do corpo, da mente e do espírito.

Referências:

[1] NATIONAL CENTRE FOR COMPLEMENTARY AND INTEGRATIVE HEALTH - NCCIH. Traditional Chinese Medicine, National Center for Complementary and Alternative Medicine, Traditional Chinese Medicine: An Introduction. Bethesda, 2013. Disponível em: <https://nccih.nih.gov/health/whatiscam/chinesemed.htm>. Acesso em: 28 nov. 2018.

[2] CHAN, E. et al. Interactions between traditional Chinese medicines and Western therapeutics. Current Opinion in Drug Discovery & Development, v. 13, n. 1, p. 50-65, 2010. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20047146>. Acesso em: 28 nov. 2018.

[3] VICKERS, A.J. et al. Acupuncture for chronic pain: individual patient data meta-analysis. Archives of internal medicine, v. 172, n. 19, p. 1444-1453, 2012. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22965186>. Acesso em: 28 nov. 2018.

[4] CHEN, F.P. et al. Use frequency of traditional Chinese medicine in Taiwan. BMC Health Service Research, v. 7, n. 26, 2007. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1810531/>. Acesso em: 28 nov. 2018.

[5] HYE-LIM, P. et al. Traditional Medicine in China, Korea, and Japan: A Brief Introduction and Comparison. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, 2012. Disponível em: <https://doi.org/10.1155/2012/429103>. Acesso em: 28 nov. 2018.